Nunca fui tão patriota
Desde pequena, minha personalidade e obsessões eram influenciadas por músicas e filmes. Assistia Amy, a menina da mochila azul e Floribella, e me achava um prodígio ambientalista, amiga das plantas e dos animais. Minha Winx era a Flora e geografia minha matéria favorita. Um dia fiz panfletos no Word alertando sobre o aquecimento global, imprimi e fui pra rua acompanhada do meu tio, mas só consegui distribuir quatro, por vergonha. Chegou RBD e espanhol virou minha aula favorita, assim como coincidentemente a professora de espanhol também era a minha favorita, mas não demorou muito pra eu ser apresentada a High School Musical e o mundo Disney entrar na minha vida. Troquei o espanhol pelo inglês como se fosse uma roupa nova, e assim foi grande parte da minha vida, encantada com o mundo pelos olhos da Disney, e música boa era música em inglês.
Não digo que não tive nenhuma outra influência porque conheci muitos filmes e artistas através do meu tio cinéfilo, sempre que ele ia pro centro e voltava cheio de DVDs piratas. Ele me apresentou Grease, KLB, Sandy e Junior, As Meninas, Zé Ramalho, Alceu Valença, Kelly Clarkson, Gloria Stefan e muitos outros.
Mas num geral, a minha adolescência foi preenchida por músicas, filmes e livros estrangeiros. O padrão eram os Estados Unidos, pelo menos até 2012 e One Direction chegar aos meus ouvidos. Trocamos a bandeira estadounidense pela britânica. Até ter um choque de realidade ao sair do país pela primeira vez para fazer intercâmbio e me dar conta do quão pequeno era o meu conhecimento sobre cultura brasileira. Como eu ia me apresentar como brasileira sem conseguir referenciar artistas do meu país? Como eu sou alagoana e não conheço músicas do meu conterrâneo Djavan, quando pessoas de outros países o conhecem e admiram? Percebi o quanto somos admirados do lado de fora, enquanto cresci com a visão de que “filme brasileiro não presta”, “o que vem de fora é melhor”.
Os estrangeiros eram mais apaixonados pelo Brasil do que eu, às vezes com referências que nem eu entendia, mas ao mesmo tempo eu queria poder falar com propriedade, porque sempre falei com orgulho que sou brasileira. Era um orgulho simplesmente por ser, e quando vim a conhecer mais, parece que preencheu o orgulho meio oco.
Não foi uma mudança da noite pro dia, mas me fez quebrar um pré-conceito que eu tinha construído. E estando do lado de fora, aprendi a valorizar muita coisa nossa. Nossa culinária, ninguém faz feijão como a gente, aniversários sem salgadinhos e brigadeiros são deprimentes, morango é superestimado e nossas frutas tropicais são uma riqueza sem tamanho, a farofa não é valorizada aqui fora, e o sorvete de açaí vai dominar o mundo. Nossa cultura, nem tenho como resumir, é tanta que cada estado parece um país diferente, enquanto isso tem país achando que consumismo e hambúrguer é cultura, eu hein. Virei a maior defensora do São João brasileiro, passar Ano Novo no frio e não ver ninguém de branco também é deprimente. Nossa gente, que tem o jeitinho, o calor, o carinho e fala a mesma língua. Conhecer pessoas de outros lugares é enriquecedor, mas às vezes sinto falta do ambiente, do bairro, da comunidade brasileira. Juntei a saudade de ouvir o meu sotaque com a influência do meu avô e estou montando uma ótima playlist de forró. Digo no gerúndio porque nunca vai estar pronta, sempre pode melhorar.
Pra quem ainda acha que só presta o que vem de fora, aviso que além de Havaianas e Farm serem itens de quase-luxo, também a Granado e a Dengo, chamam atenção mundo afora. Tem Açaí Concept (alagoana, viu?) em tudo quanto é canto, sem contar as similares. Grandes e pequenas empresas estão apostando alto em tudo que contém a estética brasileira, sabores e cheiros do Brasil. Sabemos do hype atual, e isso também tem o seu lado preocupante, mas isso é assunto pra outro post.
O ponto é: podemos e devemos nos achar, nos valorizar e defender o que é nosso.
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Acho que o brasileiro em geral precisa ser mais como pernambucanos, todo orgulho é pouco!!!
ResponderExcluirtambém acho. e o comentário pode ser anônimo, mas é óbvio que vem de uma pernambucana hihihihi
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